Depois de quase nove anos de espera, a Tesla finalmente mostrou o novo Roadster. O superesportivo elétrico foi apresentado numa transmissão ao vivo no dia 15 de outubro — e chegou com propulsores a gás, um sistema que segura o carro de cabeça para baixo e aceleração de 0 a 96 km/h em menos de 0,6 segundo na versão mais extrema.

Fotos: Tesla

Visual de caça

O design segue a linha "Cyber" que a Tesla começou na Cybertruck e no Cybercab, com inspiração declarada em aviões como o SR-71 Blackbird e o F-35. São faróis escondidos, uma lanterna que atravessa toda a traseira, peças aerodinâmicas embutidas na carroceria e a pintura branca "Ano White". As portas abrem para cima.

Três versões

  • Performance — a versão de rua: dois lugares, aerodinâmica ativa e um sistema de sucção. Faz 0 a 96 km/h em menos de 1,6 segundo. Vendida por reserva.
  • Thrust — feita para a pista: dois lugares e propulsores de gás frio na traseira. 0 a 96 km/h em menos de 0,9 segundo. Edição limitada.
  • Rocket — um lugar só e propulsores espalhados pelo carro, que ajudam até a subir e girar. 0 a 96 km/h em menos de 0,59 segundo e velocidade máxima acima de 370 km/h. Só por convite e sem liberação para rodar nas ruas.

A autonomia anunciada é de mais de 480 km.

Fotos: Tesla

Propulsores e sucção

A tecnologia vem da SpaceX: tanques de fibra de carbono ocupam os espaços vazios do carro e guardam gás comprimido, que sai pelos propulsores. Segundo a Tesla, eles geram de quatro a cinco vezes mais força do que os pneus conseguem transmitir — ou seja, o carro acelera além do limite de aderência.

Já o sistema de sucção usa ventoinhas que puxam o ar de baixo do carro, criando tanta pressão que o Roadster consegue ficar parado de cabeça para baixo. No vídeo abaixo, ele sobe uma rampa até ficar na vertical.

No modo pista, o carro abaixa e abre asas ativas movidas pelos mesmos atuadores do robô Optimus, com uma força de pressão que a Tesla diz chegar perto da Fórmula 1. Na apresentação, a marca ainda mostrou o Roadster dando um "kickflip" por cima de um caminhão Tesla Semi.

Por dentro

O volante é um "yoke" para direção por cabo (sem ligação mecânica com as rodas), com uma tela central e duas menores à frente do motorista. Para economizar peso, os bancos são fixos, os comandos são manuais e o acabamento usa magnésio, titânio e fibra de carbono. O nome "Roadster" aparece bordado em vermelho nos bancos.

Fotos: Tesla

Preço e quando chega

A Tesla ainda não divulgou o preço de nenhuma versão. Para reservar, são US$ 5 mil na hora (reembolsáveis, segundo a marca) e mais US$ 45 mil em até 10 dias — os mesmos US$ 50 mil cobrados em 2017. A produção, segundo Elon Musk, fica para 2028.

Bem diferente do prometido em 2017

Quando o Roadster foi mostrado pela primeira vez, em novembro de 2017, a promessa era produção em 2020, quatro lugares, quase 1.000 km de autonomia, mais de 400 km/h de máxima e 0 a 96 km/h em 1,9 segundo. O novo carro acelera ainda mais rápido, mas tem no máximo dois lugares, cerca de metade da autonomia prometida e velocidade máxima menor.

E aí, valeu a espera?